Como Foi No Amanhã

Eu que durante toda minha vida busquei enxergar tão longe através das mais avançadas tecnologias, que vislumbrei os confins mais remotos deste vasto universo, não pude enxergar o que estava tão próximo de mim.

Eu que busquei conhecer os longínquos mundos de galáxias distantes, não fui capaz de olhar para dentro de mim mesmo e perceber o quanto fui ausente.

Sei que o tempo é capaz de fechar as feridas, mas ele jamais poderá apagar as cicatrizes que carrego no meu peito solitário.

O tempo.

Nem sei mais o que isso significa, se é que um dia eu soube, pois nem quando achei que eu o tinha soube de fato aproveitá-lo.

Lembro de todos momentos os quais não vivi. De todos os lugares que deixei de ir, de todas as risadas que deixei de sorrir, de todos os planos que deixei de construir.

Eu deveria ter estado ali quando ali estive.

Nas poucas vezes que eu estive presente era traído pela minha mente que insistia em divagar pelos teoremas e equações incompletas que sempre me assombravam. Sim eu tinha medo.

Temia chegar ao fim. Temia enfim encontrar a solução. Seria como se me tirassem o fôlego.

Eu que sempre adiei os momentos bons que poderia ter tido, para então ter mais tempo de solucionar os problemas quase insolucionáveis que a física não consegue dominar.

O que faria eu quando encontrasse a resposta final? Qual seria o próximo passo?

Encarar a mim mesmo.

Aceitar que a felicidade que sempre adiei não estaria a me esperar quando eu enfim concluísse tudo isso.

Será que eu entenderia que a felicidade não é um lugar a se chegar, mas sim uma estrada tortuosa sem um destino final?

No fundo eu sabia e mesmo assim não tive coragem de enfrentar a realidade que estava diante de meus olhos. Fui covarde.

O tempo passou e eu não o vivi. Assim como a água o tempo escorreu por entre meus dedos e o que me restou foi a solidão que me encarava pelo espelho todas as manhãs.

Eu deveria ter feito mais por mim.

Nesse instante a nossa distância é imensurável. Não pode ser medida da maneira convencional, pois estamos separados pelo tempo.

No entanto agora enquanto escrevo essa carta, penso que quando lê-la pela primeira vez eu certamente não compreenderei. Provavelmente ninguém compreenderia.

O que importa é que, de qualquer forma, nada mais será como foi no meu amanhã.

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